‘O trabalho enobrece o homem’ - Não tenho certeza qual e o autor desta frase, sei apenas que ele não trabalhou como voluntário no CROW. Três dias foram suficientes para que eu, que não sou nenhuma bichinha, perdesse todo e qualquer tipo de frescura que tinha. O dia-a-dia de um centro de reabilitação de animais silvestres começa as 6:30 da matina, na cozinha, cortando frutas, verduras, pintinhos de um dia, fígado e miúdos de boi, bastaram 5 minutos para perder todo encanto. Não sei quantos de vocês tiveram a experiência de desmembrar pintinhos recem nascidos mas, para resumir, virei vegetariano. Eu não tinha nem ideia que os pintinhos quando nascem ainda tem gema de ovo dentro deles, ughrrr! Depois de uma hora e meia picando chega a hora de distribuir a comida e recolher a comida processada de ontem. Exatamente, shit! Estamos quase perto do meio dia e eu, mergulhado ate a cintura numa piscina de lodo, esvaziando o tanque dos gansos com um balde. Finalmente chegou a hora do lunch break, sanduiche de queijo, queijo, mais queijo, e requeijão. Em seguida iniciamos a reforma de um dos recintos de macacos. Sem gloria nenhuma carrego carriola atrás de carriola de pedras, cimento, arame e toras de eucalipto. Antes de terminar o dia me chamam para ajudar a mover alguns macacos para o recinto de adaptação. Em algum momento no primeiro dia fiz a cagada de dizer que luto judo, vi que o pessoal sorriu, e na hora não entendi o porque. Me colocaram de ajudante do troglodita que pega os macacos… O Neanderthal e eu entramos juntos no recinto, na hora o chefão dos macacos escolheu o oponente mais fraco. Sabe a ultima fase do Super Mario quando aparece um monstro que solta bolas de fogo e você percebe que esta sem super poderes?
Estou no alojamento, quebrado, mas antes de dormir, uma foto… E por isso que, depois de todo este perrengue, não vejo a hora de acordar amanha para trabalhar!
(filhotes de macaco Vervet de 8 semanas de vida, vitimas de cachorros, fios de alta tensão e tiros de espingarda, resgatados pelo CROW)
